Deputados estaduais aprovam pacote de segurança, mas deixam de lado pautas sociais urgentes

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Em poucas sessões, a proposta virou fundo para monitoramento e promessa de mais efetivo policial (Foto internet)

A recente aprovação, em regime de urgência, de um pacote voltado à segurança pública pela Assembleia Legislativa de Rondônia chama atenção não apenas pelo conteúdo, mas pela velocidade incomum com que o projeto tramitou. Em poucas sessões, o que era proposta virou fundo de financiamento para tecnologias de monitoramento e promessa de ampliação no efetivo policial. Tudo muito ágil, eficiente, e estrategicamente midiático.

A segurança pública é, sem dúvida, um tema sensível. Mas sua instrumentalização como vitrine política não passa despercebida. Enquanto projetos estruturantes, como valorização dos professores, fortalecimento da atenção básica em saúde ou políticas habitacionais, enfrentam o empurrão silencioso da burocracia, outros ganham a dianteira sempre que o capital simbólico, e eleitoral, se mostra mais vantajoso.

Curioso (ou talvez nem tanto) observar como certos temas se movem com fluidez na ALE-RO, enquanto outros parecem condenados ao limbo legislativo. O eleitor, cada vez mais informado, enxerga esses movimentos. E o que vê é um Parlamento que opera, muitas vezes, mais em função de cenários favoráveis à exposição pública do que de compromissos reais com o bem-estar coletivo.

O reforço da segurança é necessário, disso ninguém discorda. Mas quando serve como cortina de fumaça para ocultar a ausência de políticas públicas robustas, revela-se um sintoma de prioridades distorcidas. A imprensa, como é seu papel, segue atenta. E não se trata de oposição, mas de observação crítica. Afinal, os representantes são eleitos para legislar pelo povo, não para o marketing político de ocasião.

Redação: Canal Rondônia