
O que deveria ser apenas mais uma noite de arte e criatividade em Rondônia terminou em tragédia. O socorrista Remi de Brito, de 39 anos, morreu carbonizado na noite de domingo (27) durante a gravação de uma cena de filme em um sítio localizado no Ramal Jatuarana, na BR-319, zona rural de Porto Velho. A fatalidade abalou a comunidade local e gerou comoção entre profissionais da saúde e da cultura.
A produção envolvia a queima controlada de uma casa, com presença de equipe de segurança, incluindo bombeiros civis, caminhão-pipa e ambulância. Todos os trâmites, segundo os organizadores, estavam regularizados. Cerca de 20 litros de gasolina foram utilizados na montagem da cena. O que ninguém esperava era que a ficção se tornaria realidade e da forma mais cruel possível.
Durante a ignição, uma explosão repentina deu início a um incêndio descontrolado. Quatro pessoas estavam dentro do imóvel cenográfico. Três delas conseguiram escapar, ainda que com queimaduras leves. Remi, no entanto, não teve a mesma sorte. Ele era o responsável técnico pela gravação e não conseguiu sair a tempo. Foi encontrado já sem vida, carbonizado.
Conhecido nas redes sociais por seu trabalho como socorrista, técnico em enfermagem, cuidador de idosos e estudante de enfermagem no sexto período, Remi era figura conhecida nos bastidores dos atendimentos de emergência em Porto Velho. Nos plantões, nas ruas e nas salas de aula, era visto como alguém que cuidava de vidas, ironicamente, perdeu a sua em um momento que deveria celebrar a arte, não o luto.
A Polícia Militar foi chamada logo após a explosão. A Perícia Técnica e o Instituto Médico Legal (IML) também estiveram no local. As causas do acidente ainda estão sob investigação, e a principal hipótese é que tenha havido falha no controle da ignição dos combustíveis utilizados.
O caso levanta discussões sobre os limites entre segurança e realismo em produções independentes, especialmente em áreas onde o cinema ainda trilha caminhos com menos estrutura técnica.
A morte de Remi escancara uma ferida profunda: quando o improviso encontra a tragédia, nem sempre o roteiro permite um final alternativo.