
O avanço da tecnologia vem transformando a forma como cuidamos da saúde, e essa mudança tem sido especialmente positiva para o público da terceira idade. Aplicativos, relógios inteligentes e recursos integrados aos próprios celulares já fazem parte da rotina de milhões de pessoas com mais de 60 anos, contribuindo para o monitoramento da saúde e para uma vida mais ativa e independente.
Ferramentas acessíveis, como sensores que medem a frequência cardíaca, a qualidade do sono e a alimentação, ajudam no acompanhamento contínuo do bem-estar. Em alguns casos, até a câmera do celular pode ser usada para medir pressão, pulso e detectar alterações na glicemia. “A eficácia chega a 85% ou 90% para detectar disfunções cardíacas ou glicemia alterada”, explica o médico Márcio Alves, especialista em cirurgia do aparelho digestivo e atuante na área de tecnologia aplicada à saúde desde 2008.
Segundo ele, vivemos um momento inédito. “Anos atrás, para monitorar quedas ou ter acesso rápido a emergências, era preciso instalar grandes equipamentos. Hoje, independentemente da renda ou escolaridade, todo mundo está no celular”, destaca.
Com o avanço da inteligência artificial, o salto tende a ser ainda maior. Ferramentas de análise de dados e reconhecimento de padrões já permitem diagnósticos mais precoces e prevenção dentro de casa. “A tecnologia viabilizou uma mudança de eixo de poder. Hoje, especialmente os longevos, ganharam autonomia e conhecimento sobre a própria saúde”, afirma.
Mente ativa, vida ativa
Para Márcio, essa adaptação digital vai além da saúde: ela estimula o cérebro. “As pessoas entenderam que não vão viver só até os 65 anos, como seus pais e avós. Elas terão mais 20, 30 anos de vida. E essa habilidade de mexer com tecnologia estimula o sistema cognitivo, abre portas, melhora a velocidade de raciocínio e mantém a mente ativa”.
A familiaridade com o digital também transformou hábitos de consumo: 45% dos idosos já fazem compras online, o que elimina barreiras físicas e amplia as possibilidades de escolha. “A decisão de onde consumir deixou de depender do deslocamento físico para ser feita de qualquer lugar”, diz.
O resultado é visível: longevos mais conectados, com maior autoestima, independência e controle sobre a própria rotina.
Equilíbrio é essencial
Apesar de todos os avanços, o médico faz um alerta: o mundo digital não deve substituir o convívio físico. “As pessoas falam mais via redes sociais e vão menos visitar os idosos. O digital deve facilitar a vida, mas não pode excluir o mundo externo”.
Manter o contato com amigos e familiares, ir ao médico, ao mercado, à academia, tudo isso segue essencial para a saúde integral. “Faz parte do cuidado com a saúde não perder a dimensão humana do cuidado”, reforça.
Fonte: O Globo