
O que já era uma dificuldade cotidiana para passageiros de Rondônia e Acre se transformou em um verdadeiro gargalo aéreo. Após o cancelamento de 12 voos sem qualquer justificativa, as companhias Azul e Gol mantêm suas rotas praticamente inexistentes na região, obrigando quem precisa viajar a enfrentar overbooking, tarifas inflacionadas e incertezas sobre deslocamento.
O problema, longe de ser pontual, reflete um histórico de descaso. Em 2023, a Prefeitura de Porto Velho ajuizou uma Ação Civil Pública contra as duas empresas, alegando que a retirada de rotas vinha acontecendo de forma abusiva, sem respaldo em motivos técnicos ou de segurança. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) confirmam a gravidade: apenas no primeiro quadrimestre daquele ano, os cancelamentos da Azul alcançaram 17,24%, enquanto a Gol ultrapassou 19%, contra uma média nacional de 5,15%.
Mesmo com sucessivas audiências públicas, a situação não avançou. Em fevereiro deste ano, representantes da Prefeitura, Ministério Público, OAB-RO e das próprias companhias voltaram a se reunir na 2ª Vara da Fazenda Pública. A Ordem dos Advogados foi categórica: as empresas usam a judicialização como desculpa, quando, na verdade, recorrer ao Judiciário é direito legítimo da população.
Na prática, nada mudou. Os cancelamentos continuam, a procura por passagens cresce, e o preço dispara. Famílias que planejavam viagens de férias têm sido obrigadas a alterar roteiros, enquanto empresários e comerciantes amargam prejuízos com a redução no fluxo de turistas.
Se a situação já parece insustentável, a previsão para o segundo semestre é ainda mais preocupante. Com a chegada das festas de fim de ano, a escassez de voos pode transformar o deslocamento em um privilégio para poucos — deixando Rondônia, principalmente, em uma espécie de isolamento aéreo.
No meio do impasse, a sensação que permanece entre passageiros e autoridades locais é de abandono. Enquanto o eixo Sul-Sudeste segue ampliando conexões e recebendo novos investimentos, estados do Norte parecem relegados ao assento do “corredor” — sem direito sequer a uma explicação convincente das companhias.
Redação Canal Rondônia