Vídeo: CRISE EM RONDÔNIA: Comandante da PM chama deputado de “forasteiro” e Assembleia reage com convocação

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O clima esquentou entre os poderes Executivo e Legislativo após o Coronel Regis Braguin tentar cancelar audiência pública por vídeo; Delegado Camargo rebateu na tribuna chamando o oficial de “insignificante”.

 

PORTO VELHO – A tensão institucional entre o comando da Polícia Militar de Rondônia e a Assembleia Legislativa (ALE-RO) atingiu seu ponto crítico nesta semana. O que deveria ser um debate técnico sobre a organização da tropa transformou-se em uma guerra de narrativas, culminando em troca de ofensas pessoais e uma medida drástica do parlamento: a convocação obrigatória do Comandante-Geral.

O Estopim: Vídeo e Cancelamento
O atrito explodiu quando o Coronel Regis Braguin, Comandante-Geral da PM, publicou um vídeo nas redes sociais anunciando que não compareceria à audiência pública agendada para discutir a Organização Básica da Polícia Militar.

No vídeo, Braguin adotou um tom desafiador. Além de afirmar que enviaria um ofício cancelando o evento — uma prerrogativa que, segundo parlamentares, não lhe cabe unilateralmente sobre um evento do Legislativo —, o comandante disparou diretamente contra o proponente da audiência, o deputado estadual Delegado Camargo.

Braguin rotulou o deputado de “forasteiro” e acusou o parlamentar de fazer “politicagem” com a tropa da PM. O oficial defendeu que a corporação é respeitada e que o serviço prestado é de excelência, insinuando que a audiência seria um palco político desnecessário.

A Reação no Plenário: “Você não manda aqui”
A resposta do Legislativo foi imediata e dura. Durante sessão extraordinária, o Delegado Camargo exibiu o vídeo do comandante no telão do plenário e ocupou a tribuna para rebater as declarações.

“Você pode usar do poder de comandante-geral para oprimir sua tropa quando se manifesta nas redes sociais… mas sou deputado do povo. Você manda no seu quartel, mas aqui na Assembleia você não manda.” — disparou Camargo.

O deputado elevou o tom das provocações, afirmando não ter medo de “cara feia” ou de “braços cruzados”, numa referência à postura do militar. Em um dos momentos mais tensos do discurso, Camargo classificou a atitude do comandante como a de alguém “insignificante” para o debate democrático, acusando-o de perseguir policiais que ousam exercer liberdade de pensamento com Inquéritos Policiais Militares (IPMs).

O Racha Institucional
O episódio ultrapassou a esfera pessoal e gerou uma reação em cadeia no parlamento.

Afronta ao Poder: Deputados interpretaram a tentativa de cancelamento do evento via redes sociais como uma afronta à independência do Legislativo.

De Convite a Convocação: O que era um convite para debater a estrutura da PM transformou-se em uma convocação aprovada em plenário. Diferente do convite, a convocação torna a presença do Comandante obrigatória, sob pena de crime de responsabilidade em caso de ausência injustificada.

Audiência Mantida: A presidência da Assembleia confirmou que a audiência para discutir a estrutura da PM irá ocorrer, reforçando que a pauta de segurança pública não será pautada pelo humor do comando da corporação.

O episódio marca um dos momentos de maior instabilidade na relação entre a bancada da segurança pública da ALE-RO e o comando da Polícia Militar, com desdobramentos imprevisíveis para a gestão da segurança no estado.