Bar da cidade oferece ondas artificiais para clientes
PORTO VELHO, 26 DE NOVEMBRO DE 2025 – O amanhecer desta quarta-feira trouxe à tona, mais uma vez, a fragilidade estrutural da capital rondoniense. Um temporal severo despejou um volume impressionante de água sobre a cidade, acumulando mais de 100 milímetros em poucas horas durante a madrugada e início da manhã. O resultado foi o cenário já conhecido pela população: avenidas transformadas em rios, carros submersos e moradores ilhados em bairros como Tancredo Neves, Agenor de Carvalho e Lagoa.
Enquanto a Defesa Civil e a Secretaria de Obras corriam para montar uma “força-tarefa” reativa — desobstruindo canais e limpando bueiros que já deveriam estar prontos para o inverno amazônico —, a indignação popular se voltava para as prioridades da gestão municipal.
Pão, Circo e Água Suja
A crítica que ecoa nas redes sociais e nas ruas alagadas é direta: a Prefeitura de Porto Velho parece mais empenhada em transformar a cidade em um parque temático do que em resolver seus problemas crônicos de saneamento e drenagem.
A gestão do Prefeito Léo Moraes tem divulgado amplamente o “Natal Porto Velho 2025”, prometendo o “maior Natal de todos os tempos”, com investimentos elevados . O projeto ostenta atrações como pista de patinação no gelo e espaços com neve artificial no Parque da Cidade. Para o porto-velhense que hoje teve sua casa invadida pela lama, a ironia é amarga: sobra dinheiro para criar um “inverno de fantasia” com neve cenográfica, mas faltam recursos e planejamento para lidar com o inverno real e suas chuvas torrenciais.
A estratégia de focar no lazer e no embelezamento visual — uma política de “maquiagem” urbana — contrasta violentamente com a falta de obras estruturantes de macrodrenagem. Oferecer luzes e festas para uma população que, horas antes, contava os prejuízos de móveis perdidos e ruas intransitáveis, reforça a percepção de uma administração que prefere o aplauso fácil do entretenimento à dura tarefa de resolver o saneamento básico.
Diante de 100mm de chuva, a decoração natalina não serve de bote. Resta saber se as luzes do Natal de 2025 serão suficientes para ofuscar a realidade de uma cidade que, ano após ano, continua indo para
o fundo.