
O governador de Rondônia, Marcos Rocha, anunciou que permanecerá no Palácio Rio Madeira até o fim do mandato, em 2026, desistindo de disputar uma vaga ao Senado Federal. A decisão, comunicada ao secretariado na última semana, ocorre em um momento sensível para a administração estadual, marcado por alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) sobre riscos fiscais relevantes.
O recuo político também impacta diretamente o tabuleiro eleitoral do grupo do governador. Com a decisão, ficam inviabilizadas as pré-candidaturas de Luana Rocha à Câmara Federal e de Sandro Rocha à Assembleia Legislativa, movimentos que vinham sendo trabalhados nos bastidores. Entre lideranças políticas, a leitura predominante é de cautela — e não de convicção eleitoral.
Contas sob pressão
O anúncio ocorre poucos dias após o TCE-RO tornar públicos alertas sobre a fragilidade das contas estaduais. Segundo o conselheiro Francisco Júnior Ferreira da Silva, há “situações fiscais sensíveis” que exigem atenção imediata do Executivo.
Entre os pontos mais críticos está a área da saúde. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) acumula déficit estimado em R$ 360 milhões sem cobertura financeira, afetando diretamente o funcionamento do Hospital de Base, inclusive setores estratégicos como a neonatologia, onde há registros de pagamentos trimestrais realizados sem contratos formalizados.
Outro fator de pressão é o crescimento acelerado das despesas com pessoal nas forças de segurança. Os reajustes saltaram de R$ 1,2 bilhão em 2023 para uma projeção de R$ 2,2 bilhões em 2026, sem que haja, até o momento, medidas compensatórias aprovadas pela Assembleia Legislativa.
Somam-se a esse cenário um empréstimo de R$ 1 bilhão contratado pelo Estado, o passivo aproximado de R$ 1 bilhão da Caerd e multas previdenciárias que ultrapassaram R$ 1 milhão apenas nos últimos meses.
Prudência administrativa ou cálculo político?
Oficialmente, o governador sustenta que a decisão de permanecer no cargo visa garantir estabilidade administrativa e foco na gestão. No entanto, a coincidência temporal entre o alerta do TCE, a perda de espaço partidário no União Brasil e o convite para filiação ao PSD levanta questionamentos sobre o real peso dos fatores que motivaram o recuo.
Para analistas políticos, renunciar a uma candidatura majoritária em um cenário de incerteza fiscal reduz riscos institucionais e pessoais. Renunciar ao cargo em meio a uma crise financeira poderia transferir responsabilidades e fragilizar a imagem política do governador no médio prazo.
Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão não encerra o projeto político de Marcos Rocha, mas o reposiciona. A permanência no governo até 2026 pode funcionar tanto como estratégia de contenção de danos quanto como uma tentativa de reorganização de forças para o futuro.
Se o gesto representa uma escolha definitiva ou apenas uma pausa tática, o tempo e as contas públicas darão a resposta.
Fonte: Redação