
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta semana, manter a prisão preventiva de Bruno Mendes de Jesus, natural de Rondônia, detido no início do mês em Boa Vista (RR) com 103 kg de ouro escondido em uma caminhonete adulterada. A carga está avaliada em impressionantes R$ 61 milhões. A decisão confirma parecer anterior do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que já havia negado o habeas corpus apresentado por sua defesa.
Mendes foi preso no dia 4 de agosto durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-401, nas proximidades da ponte dos Macuxis. Ele estava acompanhado da esposa e do filho de apenas 9 meses, o que, segundo especialistas em segurança, poderia indicar uma tentativa de disfarce familiar para passar despercebido. Na ocasião, o condutor apresentou-se como “fiscal de obras”, mas não soube informar o canteiro onde supostamente atuaria em Boa Vista.
Durante a abordagem, os agentes perceberam alterações no painel do veículo, o que motivou uma vistoria mais detalhada. Foi nessa inspeção que as barras de ouro foram encontradas, escondidas no interior do carro.
Apesar de a defesa alegar “desproporcionalidade” na medida cautelar e “ilegalidade” na prisão em flagrante, o STJ entendeu que os indícios apontam para uma possível prática de crimes além do previsto no artigo 2º da Lei nº 8.176/91 (relativa à usurpação de bens da União).
“A quantidade de minério encontrada em poder do Paciente e a forma como estava acondicionado indica a possibilidade dos fatos em apuração envolverem o cometimento de crimes outros […] Não há que se falar, destarte, em desproporcionalidade da medida cautelar ora sub examine”, afirmou o ministro relator.
Um crime de ouro em plena luz do dia
O caso expõe, mais uma vez, a fragilidade dos mecanismos de fiscalização e controle sobre o tráfico de recursos minerais no país, especialmente no Norte, onde garimpos ilegais, ausência de fiscalização e corrupção alimentam um mercado paralelo bilionário.
A ousadia da ação, transportar uma carga dessa magnitude em uma rodovia federal, com a família no veículo e em pleno horário comercial, escancara um padrão preocupante: o de criminosos que, cada vez mais, operam com a confiança de quem aposta na impunidade.
É sintomático que alguém consiga circular com R$ 61 milhões em ouro sem documentação, escondidos em um carro com sinais evidentes de modificação, e ainda assim tente argumentar pela liberdade provisória com base em suposta “desproporcionalidade” da prisão.
O caso segue em investigação. Até o momento, Bruno Mendes não conseguiu justificar a origem do ouro nem apresentar documentação que comprove a legalidade do carregamento.
A pergunta que fica é: se 103 kg de ouro circulam assim, quem mais está operando nas sombras, à margem da lei, lucrando com o patrimônio mineral do Brasil, muitas vezes extraído em áreas de proteção ambiental ou terras indígenas?
A resposta pode ser mais pesada que o próprio ouro.
Redação: Canal Rondônia